9 de fevereiro de 2010

Eu nunca fui beijada

Bruna Presmic
Coração fechado é característica minha. Talvez por medo de perder (de novo) ou medo de descobri algo novo. Cheguei em uma fase da vida que tenho a cômoda sensação que já aprendi tudo... doce engano! Falsa segurança!
Ninguém lê o mesmo livro duas vezes... nem que se deseje. Aprendemos a cada vez. A história nunca é a mesma. Sempre muda.
Lições? Prefiro não aprender e continuar tentando. Chegar a conclusões é doloroso e pode ser evitado. Me fale mentiras e me faça acreditar, mesmo que sejam verdades... só não quero me preocupar. Faça um esforço ou se afaste! Não é fácil e ninguém disse que seria.
Não quero alguém que me entenda, apenas alguém que viva sem hipocrisia. Sem julgamentos. Que ame minhas qualidades e saiba meus defeitos... que se interesse por mim, por inteiro.
Um tipo assim, que me perturbe e me faça sorrir. Que me deixe leve e me obrigue a sentir que a vida não tem sentido se for vivida sozinha.
Por isso eu digo: eu nunca fui beijada! Não por aquele beijo despretensioso, que te faz flutuar e pensar em nada. Aquele momento que, quando acaba, se entende absolutamente tudo! Não é coisa de boca, lábios, língua... é algo da alma. Não precisa ser o primeiro, mas com certeza será o último. E não é para ser compreendido, apenas sentido... aí está o problema e a beleza do segredo. Ah que segredo...

Se estou apaixonada? Não, mas uma vez, apenas desacreditada dessas coisas da vida.

18 de janeiro de 2010

Louca perigosa

Bruna Presmic



Esfria meu corpo quente, mas não com essa água fria. Esfria, pois preciso que o aqueça de novo, com as mesmas palavras ardidas e vazias. Não quero saber de canto, nem encanto. Você finge que me engana e eu deixo, puro desejo de saber quem eu não sou.

Tento te explicar que nem sempre o corpo está em sintonia com a mente, que não é porque se sente que se pode falar. Engula seus demônios, não os divida com o mundo, e assim eles estarão sempre a te rodear. Nomeie cada um deles e os solte, volte a viver (ou comece)! Para isso basta sorrir, não precisa ser tão auto-suficiente assim! Arisque!

Permita-se ficar sem dormir um dia ou andar sem rumo uma vez na vida. Diga ‘olá’ a um desconhecido, pague um café para o guarda da esquina, ligue para um amigo esquecido ou não faça nada disso... mas não, senhor, não liberte o amor, não estamos preparados, não ainda. A louca perigosa ainda me domina e por isso sou escrava dessa tão sonhada liberdade. Agonia.

2 de janeiro de 2010

Que comece o show!

Bruna Presmic
Esse ano eu quero:
girar sem enjoar,
pedir sem dar,
sorrir sem forçar,
caber sem apertar,
correr sem me cansar,
gastar sem me preocupar,
comer sem engordar,
dormir sem ter hora pra acordar!


Quero ter sem culpa...
Quero estouro, estrada, caçada...
Quero poder berrar alto - mas não escutar e muito menos me explicar.
Quero estender o limite sem entender o infinito, contar todas as estrelas e contemplar...
Quero liberdade, quero pensamento, quero que me entenda mesmo sem compreender!
Quero o impossível e mais!
Alguém aí duvida que eu vou conseguir?
-

25 de dezembro de 2009

No fim

Bruna Presmic


Esse ano não vai ter saldo!

Não quero resumo. Fato.

Nada de rever promessas ou metas.

Não esse ano.

A folha final ficará em branco...

9 de dezembro de 2009

Choque de realidade

Bruna Presmic

... e observou como as pessoas eram frágeis e insignificantes. Com uma palavra perde-se um amigo, por um segundo, a vida.

- Mas você disse que tudo ficaria bem? – fez a cobrança entre soluços e lágrimas.

- Eu falei o que precisava ser dito naquele momento.

- Você mentiu... eu acreditei no que disse.

Tentou se aproximar para afagar seus cabelos, mas teve o gesto rejeitado.

- O tempo lhe ensinará que algumas mentiras, mentiras sinceras, devem ser usadas em momentos chaves, no decorrer da vida.

- Me recuso a acreditar nisso! Sempre aprendi a dizer a verdade, em qualquer circunstância. Ela me ensinou assim e é assim que deve ser.

- Vou te deixar acreditar nisso por mais alguns anos, essa fase da vida na qual pensamos que podemos mudar o mundo. Tenho saudades dessa minha época, eu era invencível... infelizmente a vida me fez crescer, e todos nós, mais cedo ou mais tarde, tomamos esse choque de realidade que nos arranca sonhos e ensina a mentir.

Consegui ver a ira no olhar dela, enquanto levantava e enxugava as lágrimas.

- Comigo vai ser diferente, se for desse jeito mesmo que descreve, então nunca vou crescer!

E começava ali sua transição, com a pior das mentiras: aquele que contamos para nós mesmos...

26 de novembro de 2009

Ruídos

Bruna Presmic

"Não grite!" - orientou a voz suave.

"Os gritos trazem o desespero... " - continuou tranqüilamente.

Coloquei o mão na boca e fechei o semblante, pensando seriamente no que acabara de ouvir.

"Não grite!" - a ordem ecoava pelos meus pensamentos... “Será isso possível?”

"Não grite por dor, nem por raiva e muito menos de medo. Quando estiver com dor se concentre e medite, nada de berros; se é a ira que te aflige, sorria e conte até dez, vai ver que não vale a pena gastar a voz com briga; mas se vem do medo a vontade de gritar... cante, além de o espantar se sentira mais feliz. Evite o desespero, não grite!"

"Mas então eu nunca poderei gritar?" – questionei sem pensar.

"Guarde sua voz para quando chegar a hora de avisar a todos que você venceu e para comemorar! Aí sim, vale a pena gritar!"

18 de novembro de 2009

Criado-mudo

Bruna Presmic
Ao lado da cama não pode faltar um apoio, madeira, mesa, muda, o criado.

Porque quando vamos dormir nunca vamos sozinhos, nunca de mãos abanando. Sempre carregamos sonhos, fados, medos, esperanças, lembranças... E temos que repousá-los em algum lugar.

Um lugar perto, reto, quieto, mudo... Que não mude durante a noite e nos devolva tudo pela manhã, sem falar nada... Completamente mudo.